Congresso aprova PL da Devastação

No início da madrugada de 17 de julho, Dia Nacional de Proteção às Florestas, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei 2159/2021, conhecido popularmente como o “PL da Devastação”.

A votação aconteceu de maneira açodada, sem que fossem levados em conta pareceres técnicos ou a participação da sociedade civil. Foram 267 votos favoráveis ao PL e 116 votos contrários.

O texto aprovado afrouxa as regras de licenciamento ambiental e fragiliza os instrumentos que protegem o meio ambiente.

Segundo o Projeto de Lei, empreendimentos de grande impacto ambiental se autorregulariam e emitiriam suas próprias licenças, sem passar pelo crivo de órgãos técnicos, como ICMBio, IBAMA, Iphan ou FUNAI. Essa prática colocará em risco a vida das populações próximas a essas atividades exploradas, visto que aumentaria poluição hídrica, desmatamento, produção de resíduos poluentes e principalmente gases do efeito estufa.

“A aprovação deste PL é um retrocesso ambiental e mostra o total descompasso do parlamento brasileiro entre as suas políticas nacionais. lembro que estamos sofrendo os impactos das mudanças climáticas no país e a aprovação do  PL  colocará  o Brasil em uma situação difícil perante os acordos internacionais assinados. tivemos em maio a conferência nacional de meio ambiente onde a sociedade civil participou da construção de inúmeras propostas socioambientais, tudo isso a poucos meses do Brasil  sediar a COP 30, conferência mundial sobre mudanças climáticas da ONU que será realizada em novembro na cidade de Belém (PA).”, Afirma: Mauro Pereira biólogo diretor executivo da Defensores do planeta.

Jovens criam jogo de educação ambiental climática

O bairro de Santa Cruz vem sofrendo com os impactos das mudanças climáticas provocadas pela destruição ambiental, degradação da baia de Sepetiba e com a poluição das indústrias locais, isso causa impactos climáticos no território. Então iniciamos uma campanha contra o racismo ambiental e estamos trabalhamos com educação climática nas escolas da região. Envolvemos e realizamos formação das crianças, adolescentes e jovens neste tema de forma lúdica e criativa, levando o conhecimento dos problemas socioambientais da região e utilizamos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como ferramenta de transformação. Desde 2021, inauguramos um polo de juventude ODS situado dentro da Escola Raul Ryff e os estudantes do Polo participaram da seleção do projeto Chama na solução do CEDAPS com o UNICEF. A proposta dos jovens foi trabalhar educação ambiental climática como forma de combater as mudanças climática, pois a região da zona oeste da cidade já sofre os impactos climáticos. Os jovens pensaram e criaram um jogo de tabuleiro que fala sobre as belezas e problemas do nosso território, das mudanças climáticas e traz os ODS como ferramenta de transformação.
“O Polo de Juventude ODS é importante, pois inclui a juventude na internalização e formação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e nos proporciona participar da construção das políticas públicas para a zona oeste do Rio de Janeiro, que é uma região que sofre com a violência, ausências de políticas socioambientais e esquecida pelo poder público”, afirmou Miguel Gandos, coordenador do Polo de Juventude ODS – Z.O. Rio de Janeiro.
O lançamento foi um enorme sucesso, envolvemos mais de 380 estudantes, professores, diretores, parceiros e convidados. Estamos realizando apresentações em eventos e escolas da região e o jogo já se tornou uma sensação entre as crianças.
O Jogo do clima desenvolvido pela juventude do polo de juventude ODS está alinhado com a defesa do planeta e com os seguintes objetivos: ODS 4 –  educação de qualidade; ODS 11 –  Cidades e comunidades sustentáveis; e o ODS 13 – Combate as mudanças climáticas; além de cumprir com o artigo 12 do acordo de Paris. Este artigo teve a participação da Defensores do Planeta que, em 2015, esteve na COP 21, em Paris e, junto com a sociedade civil global, atuou na construção da temática de educação e mudanças climáticas.

 

Protestos em Glasgow exigem ações concretas de líderes mundiais.

Milhares de pessoas se manifestam pelo segundo dia consecutivo nas ruas da cidade escocesa sob chuva e vento para pedir mais ação e menos palavras aos líderes reunidos na cúpula do clima

Dezenas de milhares de pessoas, 50.000 de acordo com os organizadores, percorreram no sábado as ruas do centro de Glasgow para pedir justiça climática. Sob a chuva e o vento, a cidade escocesa, sede da COP26, vivenciou outra jornada de manifestações para exigir aos líderes políticos mundiais que se reúnem na cúpula do clima mais ação e menos palavras contra o aquecimento global. “Estou aqui para mostrar ao mundo os retrocessos socio ambientais do presidente Bolsonaro no Brasil, queremos união pela defesa da Amazonia e respeito aos indígenas, queremos lembrar que a sociedade civil é parceira na construção das soluções para enfrentar a crise climática”, informa Mauro Pereira, diretor executivo da Defensores do planeta, que veio a COP 26 representando a zona oeste AP 5 da cidade do Rio de janeiro.

Mauro deu entrevistas aos vários jornais e tvs do mundo contando o que estão vivenciando nestes últimos anos na gestão do presidente Bolsonaro, com uma moto serra na mão, um tronco simbolizando a Amazônia e a bandeira do Brasil, ele chamou a atenção por onde passou em Glasgow.

O que é o racismo ambiental e como ele afeta a população da zona oeste do Rio de Janeiro.

O termo racismo ambiental ou racismo meio ambiental foi criado pelo líder afro-americano de direitos civis Dr. Benjamin Franklin Chavis em 1981, em um contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais nos Estados Unidos. O termo faz referência às formas desiguais pelas quais etnias vulnerabilizadas são expostas aos efeitos ambientais (indireta ou diretamente), já que esses grupos minoritários não fazem parte das tomadas de decisões, que muitas vezes está associada aos acordos de poder da elite dominante e das instituições que eles controlam, prejudicando pessoas pobres, pretas, periféricas e originárias, enquanto favorecem grupos que estão no topo da pirâmide social. As instituições governamentais, jurídicas, econômicas e políticas reforçam o racismo ambiental e estão diretamente atreladas no uso da terra, na aplicação de normas ambientais, onde serão criadas as industriais e, de forma particular, os lugares onde etnias mais vulnerabilizadas moram, trabalham e gozam do seu lazer. No Brasil, o termo também abarca regiões indígenas não demarcadas, favelas, áreas com alto risco de deslizamento de terra, áreas urbanas não atendidas por saneamento básico e áreas residenciais perto de lixões.

Segundo Robert Bullard – Sociólogo e Diretor do Environmental Justice Resource Center em entrevista à Revista Eco 21 “Este conceito institucionaliza a aplicação desigual da legislação; explora a saúde humana para obter benefícios; impõe a exigência da prova às ‘vítimas’ em lugar de às empresas poluentes; legitima a exposição humana a produtos químicos nocivos, agrotóxicos e substâncias perigosas; favorece o desenvolvimento de tecnologias ‘perigosas’; explora a vulnerabilidade das comunidades que são privados de seus direitos econômicos e políticos; subvenciona a destruição ecológica; cria uma indústria especializada na avaliação de riscos ambientais; atrasa as ações de eliminação de resíduos e não desenvolve processos precatórios contra a poluição como estratégia principal e predominante. A tomada de decisões ambientais e o planejamento do uso da terra em nível local acontecem dentro de interesses científicos, econômicos, políticos e especiais, de tal forma que expõem às comunidades de cor a uma situação perigosa.”

O município do Rio de Janeiro é separado em 5 Áreas de Planejamento (AP), e a maior delas é a AP5, que concentra diversos bairros da Zona Oeste. E essa também é a que mais sofre racismo ambiental. Um estudo feito pelo Trata Brasil mostra que quase 100% das moradias da AP5 e da cidade do Rio de Janeiro tinham banheiro de uso exclusivo dos moradores, mas apenas 82,9% das moradias da AP5 eram ligadas à rede geral de esgoto ou à rede pluvial. Enquanto nas demais AP’s, 93,6% das moradias estavam ligadas à rede geral de esgoto ou à rede pluvial. Mas, não para por aí, a situação fica mais precária quando apenas 32,3% (Barra de Guaratiba) e 51,5% (Guaratiba) das moradias são ligadas à rede de esgoto, isso quer dizer, que é bastante comum ver esgoto à céu aberto nesses territórios, assim como vemos em sub- bairros como o Aço, Urucânia, Cesarão, João XXIII, Guandu, Alvorada e o bairro de Deodoro. E isso pode ocasionar diversas doenças como hepatite, leptospirose e cólera.

Saneamento básico e saúde são complementares, então quando há um porcentual tão baixo de moradias que são ligadas à rede de esgoto significa que estamos falando do racismo ambiental, já que o atraso das eliminações de resíduos é a estratégia principal de dominância da elite, acobertada pelo poder público, que tende a ignorar seus cidadãos periféricos. Além disso, também podemos ver a falta d’água por vários dias consecutivos, ou a presença dela com gosto e odor fora do comum graças a geosmina em bairros como Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba como uma agressão racista aos seus cidadãos, ainda mais em plena pandemia, onde uma das formas mais eficazes de impedir a contaminação é levando as mãos com água e sabão.

A Defensores do Planeta é membro do conselho municipal de meio ambiente da cidade do  Rio de janeiro (CONSEMAC), onde vem questionando como é tratada a questão do saneamento básico na zona oeste do Rio, atuamos também no comitê de bacia hidrográfica da baia de Guanabara e recentemente fomos eleitos como titular no comitê Guandu. Estamos neste espaços para trabalhar a gestão hídrica e a questão de saneamento básico em nosso território, atuamos para implementação da agenda 2030 com foco no ODS 6 –  água limpa e saneamento básico, este ODS tem como meta alcança o saneamento básico e a água limpa até o ano de 2030, coisa difícil de se atingir,  por exemplo: estamos em um período de pandemia e bairros como Guaratiba e Santa cruz, bairros que tem um menor IDH (índice de desenvolvimento humano)  na região , e não tem uma cobertura de 100% de saneamento básico ou água limpa para manter o asseio neste período crítico, o que só  demostra o grande retrocesso neste direito humano na zona oeste do Rio. A ONU reconheceu em 2010 água como um direito humano logo ela não deve ser mercadoria e tem que ser um direito de todos.

A defensores do planeta vem denunciando dentro e fora do brasil todo esse desrespeito para com a população da zona oeste, mas não podemos fazer isso sozinhos, cobrem dos líderes políticos por mudanças efetivas no sistema de saneamento básico e na distribuição d’água de qualidade, e para além disso, acompanhe nosso site e nossas redes sociais para ficar mais atento no que acontece no nosso território.

FONTES

96.5, TUPI.FM. Cedae promete, mas não normaliza fornecimento de água na Zona Oeste e na Baixada Fluminense. Disponível em: https://www.tupi.fm/rio/cedae-promete-mas-nao-normaliza-fornecimento-de-agua-na-zona-oeste-e-na-baixada-fluminense/. Acesso em: 5 fev. 2021.

ECYCLE. O que é racismo ambiental e como surgiu o conceito. Disponível em: https://www.ecycle.com.br/8123-racismo-ambiental.html?fbclid=IwAR3YSbqH6GjnwU9nyRdj9QhXugPrV9IPsg8rXs-p6b-T-yUVV2ntdCePlwo. Acesso em: 4 fev. 2021.

EU, RIO. Pandemia encontra favelas e bairros sem água – Eu, Rio! Leia mais: https://eurio.com.br/noticia/12715/pandemia-encontra-favelas-e-bairros-sem-agua.html. Disponível em: https://eurio.com.br/noticia/12715/pandemia-encontra-favelas-e-bairros-sem-agua.html. Acesso em: 3 fev. 2021.

FOSSA TRAT. Doenças causadas pelo esgoto: patógenos de transmissão hídrica. Disponível em: https://fossatrat.com.br/6-principais-doencas-causadas-pelo-esgoto-saiba-mais/. Acesso em: 5 fev. 2021.

QUEBRADA POD. Racismo Ambiental na Quebrada. Disponível em: https://open.spotify.com/show/2fIqWYLr5Ty7LXfyxdSUjV?si=aPlN7PZdRHm128c2ndnG2g&nd=1. Acesso em: 4 fev. 2021.

REVISTA ECO – 21. Ética e racismo ambiental. Disponível em: http://www.eco21.com.br/textos/textos.asp?ID=996. Acesso em: 3 fev. 2021.

TRATA BRASIL. BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS DA EXPANSÃO DO SANEAMENTO NA AP-5 DO RIO DE JANEIRO. Disponível em: http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estudos/besa-rj/relatorio-final.pdf. Acesso em: 5 fev. 2021.

Autores:
Glaucio Henrique Evangelista de Freitas
Mauro A. S. Pereira

Inscrições – Diálogos da Juventude 2030

Estão abertas as inscrições para o projeto Diálogos da Juventude 2030, este projeto tem a finalidade de incluir a juventude nas discussões, implementação, ações, monitoramento e na co criação de projetos socioambientais com foco nos ODS no território da zona oeste do Rio de Janeiro. Esta é uma parceria da Defensores do Planeta com as Nações Unidas e o Ministério de Meio Ambiente da França.
Se você tem entre 15 ou 29 anos e se interessou, se inscreva enviando um e-mail com seu nome, idade, endereço e telefone para o e-mail: contato@defensoresdoplaneta.org.br
Venha ser parte da Agenda 2030 e desta forma não queremos deixar você para trás.

Dia Mundial de Proteção aos Manguezais

No dia 26 de julho de 2019 é comemorado o Dia Mundial de proteção aos manguezais. Neste contexto, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) juntamente com a equipe gestora da Reserva Biológica de Guaratiba, abriram as portas da REBIO, usualmente restrita ao público, para atividades de cunho educativo em comemoração a data.
A Defensores do Planeta esteve presente a este evento, onde puderam ser discutidos assuntos socioambientais preservacionistas importantes para a região de Guaratiba e para a Zona Oeste do Rio de Janeiro voltado para a integração da sociedade civil em “conhecer para preservar”.  A Coordenação da Juventude participou junto aos seus voluntários nas atividades propostas e as visitas técnicas.
Ao decorrer do evento, foram feitas atividades em campo aberto, onde guias levaram a sociedade civil a aulas de compreensão à importância dos manguezais e a preservação deste ecossistema riquíssimo em diversidade de fauna e flora.Continuar lendo

Fórum de Juventude: Agenda 2030 – Rio

No dia 20 de março de 2019 foi realizado o Fórum da Juventude: Agenda 2030 – Rio, sendo um espaço político participativo onde a juventude do Rio de Janeiro se reuniu para discutir os enfrentamentos e desafios da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no território. Com ampla faixa etária e diferentes escolaridades, a plenária detinha uma composição plural com jovens de diferentes instituições (Escolas Municipais, Estaduais, Institutos e Colégios Técnicos, Universidades, ONG, Coletivos, etc.). O evento foi sediado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, localizada na Baixada Fluminense.Continuar lendo

ONU lança desafio de volta às aulas para combater poluição plástica nos mares

 

Produção de plástico ameaça vida marinha. Foto: ONU/Saeed Rashid

A ONU Meio Ambiente convida professores e estudantes de todo o Brasil para o Desafio de Volta às Aulas Mares Limpos, uma mobilização global para reduzir o uso de plástico descartáveis nas escolas e no dia a dia das crianças.

Para participar, os docentes interessados deverão desenvolver um projeto para a redução do uso de plásticos descartáveis na escola e/ou no dia a dia dos alunos, a ser implementado ao longo do primeiro semestre escolar. Saiba mais:

ONU Meio Ambiente convida professores e estudantes de todo o Brasil a participar do Desafio de Volta às Aulas Mares Limpos, uma mobilização global para reduzir o uso de plástico descartáveis nas escolas e no dia a dia das crianças.

O iniciativa tem como objetivo levar mais informação aos alunos, colégios e famílias sobre o problema do consumo excessivo do plástico. A proposta é difundir as melhores formas de mudar o triste cenário da poluição plástica nos oceanos — que recebem todos os anos até 13 milhões de toneladas do material.Continuar lendo

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